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09/05/2016 16h42

'Temer não foi Governo. Esse avião quem pilotou foi o PT', diz Marun



Logo no começo da entrevista, o deputado federal Carlos Marun já se define como alguém que não fica em cima do muro e sempre se posiciona em praticamente todos os assuntos. Por isso, destacou-se nos debates da Câmara dos Deputados durante o processo de votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

E, de fato, não hesita ao responder aos questionamentos. Fala que houve abuso de poder do Supremo Tribunal Federal (STF) na decisão de afastar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, faz duras críticas ao Governo Dilma, falando da incompetência avassaladora que resultou na crise econômica. Ele conta detalhes dos bastidores do impeachment e das articulações que começam a ser feitas caso Michel Temer assuma a presidência
 

O senhor participou das primeiras conversas sobre o impeachment e depois sempre esteve envolvido nos debates. Quais foram os fatores determinantes para aprovação?

CARLOS MARUN Sou uma pessoa de posição, ou estou de um lado ou do outro. Não fico em cima do muro em praticamente assunto nenhum. O fato de já ter posição, ainda quando começaram a discutir o impeachment, fez com que me colocasse nas principais rodas de discussão. Assinei o primeiro manifesto pró-impeachment que circulou na Casa. Em maio do ano passado, cheguei a conclusão que o governo não ia a lugar nenhum. A presidente Dilma tinha perdido credibilidade e não conseguiria reunir o país entorno de projeto algum. Isso se tornava cada vez mais evidente. Foram poucos que tiveram coragem de assinar aquele primeiro manifesto. Até que chegou o relatório do Tribunal de Contas recomendando, por unanimidade, a rejeição das contas da presidente em 2014 pelas pedaladas fiscais. As pedaladas continuavam acontecendo em 2015. Aí ficou evidente a existência do motivo jurídico que, somado a motivos políticos, está levando ao impeachment. O processo é híbrido, jurídico e político. Se fosse para ser só jurídico seria julgado apenas no STF. É julgado no Congresso, pela Câmara e pelo Senado, onde passa pela presidência do STF, justamente por essa característica de ser híbrido. E nesse processo sobram razões políticas e jurídicas.


E como foi a influência das manifestações nas ruas?

Inicialmente, houve dessintonia entre a rua e a classe política. A rua, já em março do ano passado, pediu, em grandes manifestações, o impeachment. Mas aqui na Casa o processo não estava pronto. Não havia acontecido nem o julgamento das contas pelo TCU. Depois, a rua foi diminuindo a pressão. Aí chegou o momento da política pronta e as ruas não, em meados de novembro. Houve preocupação, pois o movimento foi pequeno em dezembro. O momento crucial, que vivi aqui, foi quando Eduardo Cunha estava tomando a decisão se abriria ou não processo de impeachment. Ele já tinha marcado entrevista para 17h sobre seu posicionamento. Era grande a tensão. Estive na presidência. Ele perguntou: “o que tu faria no meu lugar?”. Respondi, que estaria assustado, mas desejaria que abrisse o processo de impeachment, pois existem razões claras. Mas existia o medo de que a rua não estivesse disposta a apoiar. Depois de alguns minutos sozinho, ele avisou que estava indo dar entrevista e ia votar para andar o processo do impeachment. Foram marcadas as manifestações para o dia 13 de março e em fevereiro aconteceu uma coisa importantíssima: a conversa entre movimentos de rua e classe política. Em Campo Grande, até não existia esse problema, pois participei em dezembro e fui aplaudido. Mas havia a divisão e, desse jeito, não se ia a lugar nenhum. Pelas redes sociais havia expectativa que não fosse muito grande. Aí surge outro fator de extrema relevância, que foi a delação do senador Delcídio do Amaral. A delação do Delcídio jogou gasolina de novo na fogueira do impeachment.
 

Depois disso cresceu a indignação dos brasileiros?

A partir daí disseram que seria uma manifestação bombástica. Na sequência, também aconteceu a condução coercitiva do ex-presidente Lula. Para sacramentar política e as ruas andando juntas, parlamentares foram convidados a se pronunciarem na Avenida Paulista. A luta se desenvolveu em vários lugares. Campo Grande foi um campo de batalha muito importante, mas a Avenida Paulista foi um palco central. Fui um dos convidados. Ali vi que não tinha como esse movimento ser derrotado.

A Comissão do Impeachment no Senado já deu voto favorável para continuidade do processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que o impeachment é praticamente certo?

Politicamente, vencemos a batalha, mas não a guerra do impeachment. Temos outros processos, como o pedido de impeachment feito pela OAB, que é muito completo. Se no Senado complicou, abriríamos outro processo. Agora é admissibilidade. Vota maioria simples no Senado. Ela é afastada, mas não sai de Brasília. Continua morando no Palácio do Alvorada, que ela vai tentar transformar num bunker de resistência e lutar contra o impeachment. Enquanto houvesse chance de retrocesso nesse processo, o Eduardo Cunha seria fundamental, pela sua coragem, frieza e pelo seu conhecimento do regimento.
 

O senhor sempre defendeu o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Como vê a decisão do STF de afastá-lo?

Sem entrar no mérito, entendo que foi uma decisão que não está prevista na Constituição. Em nenhum momento, a Constituição Brasileira prevê a possibilidade de um poder afastar liminarmente membro de outro. O deputado Eduardo Cunha está sendo processado no STF. O Supremo que acelere esse processo e julgue o deputado, mas não determine afastamento de mandato popular de forma liminar. Entendo que houve abuso de poder por parte do STF. Penso até que isso se constituiu cortesia que o STF faz à presidente Dilma, fazendo com que Cunha seja afastado antes dela. É como o atendimento do último pedido de condenado à morte antes da execução da sentença. Acho que o último pedido da Dilma foi afastem o Cunha e por isso STF tomou essa decisão.

Há possibilidade de o senhor ocupar algum ministério, caso o vice Michel Temer venha a assumir a presidência da República?

Primeiro, é importante esclarecer que nós somos favoráveis à redução do número de ministérios. Até elaborei uma proposta de redução para 20 ministérios que quero entregar ao Presidente Temer. Entendemos que ajuste não pode ser feito pelo aumento dos impostos, mas sim pela redução do custo da máquina. Segundo, nós sabemos que precisamos trazer para esse governo de salvação nacional o maior número de partidos possíveis, nos ajudando a governar e ultrapassando momentos difíceis. Nesse sentido, sabemos que o PMDB vai diminuir seu espaço no governo para abrigar outros partidos e até pela própria redução. Dois ministérios ocupados pelo PMDB, Aviação e Portos, por exemplo, devem ser extintos. Qualquer conversa quanto a ministérios é prematura, por enquanto.
 

Mas houve algum convite?

O que existe é o seguinte: no caso de o Ministério das Cidades ficar com o PMDB da Câmara - que tinha três, mas deve ficar com um - eu diria que seria o favorito porque tenho apoio da bancada para isso. Mas pode vir o da Saúde para Câmara, já tocado por um deputado federal. Aí não tenho a mínima possibilidade de ser ministro. Se vier o das Cidades na composição política diria que tenho fortes possibilidades. Independente disso, vou estar ao lado do Governo.
 

Cogita candidatar-se à prefeitura de Campo Grande?

Eu insisto que o PMDB deve ter candidato próprio nas próximas eleições. Coloquei meu nome à disposição do partido. Nunca briguei por isso. Não disputo essa condição. Hoje estamos vivendo situação sui generis, onde o PMDB pode ter a responsabilidade de assumir o comando maior da nação. Temos compromisso de sucesso desse governo. Tudo deve ser melhor analisado. O PMDB deve consumir o mês de maio para essa decisão. Temos outros nomes, como do (Waldemir) Moka. Antes de pensar em apoiar outro partido, temos que esgotar as possibilidades de candidatura dentro do PMDB.
 

E como o senhor avalia as denúncias contra Michel Temer?

Vejo como plantação. São mais de 65 denúncias. Até a 60, não falavam no Temer. Agora, surgem quando vai ser presidente. É uma plantação desavergonhada, promovida pelos que querem que o desgoverno continue.

O Brasil enfrenta hoje grave crise financeira causada também por equívocos de gestão cometidos pelo atual Governo. Michel Temer não poderia ser co-responsável por esses erros?

O vice tem necessidade de estar preparado para assumir o Governo. Temer não foi Governo esse tempo todo. Esse avião quem pilotou foi o PT. Não estivemos nem de copiloto, como disse esses dias um senador. Tivemos alguns ministros do PMDB participando, em posições subalternas, mas nunca tivemos a situação de tentar fazer que alguma política pública ou pensamento do PMDB fosse pensamento de governo. Quem tocou esse governo foi o PT. No momento em que o PMDB decidiu sair, ficou claro que esse governo não tinha mais onde chegar. A corrupção é um dos aspectos. Mas o grande aspecto é a incompetência. Lembro de uma declaração que me marcou de que muitos estão pensando que o que quebrou a Petrobras foi a corrupção, mas o que quebrou foi a incompetência. Não que a corrupção seja um mal menor, mas a incompetência é avassaladora. A partir de 2014, foram cometidos absurdos para ganhar eleição e o governo praticamente assaltou os cofres da nação. Aí começou o desequilíbrio do País. O trem descarrilou, deficits gigantescos, pedaladas para tentar socorrer esse deficit, absoluto descrédito perante o mercado internacional, inflação, desemprego e a corrupção como pano de fundo de tudo isso.
 

E como acredita que Temer dará conta de todos esses desafios caso assuma a presidência?

O Temer merece e precisa do voto de confiança da população. Ele vivia numa zona de conforto. Vice-presidente, anda nos tapetes vermelhos, mora no palácio, é bem casado, filho novo, anda de jatinho. Não precisava disso. Em termos de vida, de prazer pessoal, não precisava disso. Já tinha tarefa estabelecida na vida política. Agora, passa a ter de enfrentar grande desafio. Ele tem absoluta vontade de acertar. Não estará saindo dessa situação de conforto para presidir o Brasil num momento como esse somente para fazer de conta que vai governar. Ele quer realmente fazer a diferença nesse governo de transição. Não se candidatará à reeleição, mas quer passar adiante um país novamente andando nos trilhos. Ele vai fazer isso. Imaginamos que em até cinco meses já vamos notar retorno positivo do retorno dos recursos estrangeiros. Voltando a gerar empregos.




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